Aços e Damasco

Lembrem-se que as opiniões expressas, preços de coisas, idéias, métodos de trabalho, etc podem se alterar conforme a experiência do cuteleiro e o tempo que passou desde a informação.

Damasco: quais as combinações possíveis?

http://www.knifenetwork.com/forum/showthread.php?t=8601&goto=nextnewest

Jeff Velasco
Só por curiosidade, o que o pessoal anda caldeando por aí? Quais as combinações de aços que estão experimentando? Tem alguém caldeando aços liga com carbono? Ou liga com liga? O que é o damasco dos brasileiros???

Lepazini
Comecei a a fazer damasco a alguns anos , 5 precisamente, e neste tempo tentei caldear de tudo, a primeira faca de damasco que fiz era algo como uma salada de frutas , tinha 7 combinações de aços , alto carbono+ baixo carbono + ferramenta , sendo assim sofri muito para poder fazer um tratamento térmico nela, com o tempo vi que os melhores resultados para mim eram duas combinações:
Para facas pequenas , como Skinners ou até mesmo utilitarias de laminas de até 4″ eu comecei a utulizar um damasco mais duro assim optei por caldear 1070 + L6 o revenimento “deve ” ser feito duplo pois esta combinação torna o damasco muito duro assim se vc não fizer um bom revenimento fica dificil do cliente reafiar a faca.
Para laminas maiores que sofrerão esforços continuos eu utilizo 1070+5160 ou 1095+5160 esta ultima estou testando o poder de elasticidade e até agora se apresentou muito bom, más vc tem com ambas combinações um damasco muito bom , vc perde um pouco em contraste , más vc tem um damasco muito resistente ,facil de afiar,e com bom poder de corte.
Apenas para complemento de informação um damasco muito bonito é “cable” apenas ressalto que acho o poder de corte muito limitado, devido a isto sempre faço duas barras de cable e caldeio entre elas um lamina de 1070 , assim vc tem um poder de corte bom, outro padrão que gosto muito é o Chain saw “corrente de moto serra, é muito bonito quando vc dobra a barra varias vezes se puder torcer ela fica muito melhor, apenas ressalto que deve ter atenção dobrada na tempera pois eu a achei um pouco complicada .
Para encerrar apenas digo que os padrões compostos são muito legais de serem feitos mais aconselho ter paciencia pois podem demorar até uma semana para conseguir um composite de 5 barras diferentes, o melhor resultado é vc ter todas as barras do mesmo composto ex: 5160+ 1070 assim vc evita ter varios aços que possam ter temperatura de tempera diferenciada oque seria um problema e isto ocorreu comigo quando estava caldeando 420+302 e D2+302 para estes casos em especifico posso dizer, aços inoxidaveis são terriveis para caldear, 420e 302 não é tão sofrido, más o resultado final é muito ruim, vc quase não tem contraste , o poder de corte é fraco, e como a temperatura de caldeamento é maior que a dos aços carbono vc demora muito tempo para caldear poucas linhas, alem de ter atenção redobrada quanto a impurezas, caldear aços inox ou até mesmo forjalos é uma M…. pois depois vc sofre muito para “Recozer” assim parei de fazer esta besteira, quanto ao D2 + 302 é pior ainda, para caldear os dois é terrivel vc tem muita perda do D2 devido a alta temperatura que vc tem que atigir para que o 302 entre em caldeamento, o meu melhor resultado foi uma lamina de 3″por 1″com 24 linhas detalhe comecei com um billet de 6″x 2″ e com 6 barras, assim cheguei a conclusão que para fazer aços damasco inox é mais barato e mais facil falar com o pessoal da Damasteel.

Ferrari
Tratando-se de damasco várias combinações são possíveis. Particularmente gosto de 5160 com 1095, mas já fiz cable com 1095, fiz 5160 com corrente de moto, 1010 com 1095.
Alguns preferem colocar um aço de baixo teor de Carbono como o 1010 e 1020 com aços de alto teor como 1095, O1, 52100, etc. Já outros gostam de fazer outras “misturas” de aços de médio com alto teor de carbono.
Na realidade cada barra tem sua própria “personalidade”, assim como o desenho e temperabilidade. Aí vai uma questão de gosto do cuteleiro.

Lepazini
Amigos quanto a combinações com aços de baixo carbono tenho apenas que ressaltar que combinações com 1010,1020 , e outros baixo carbono podem ter grande elasticidade, más perde muito em poder de corte, falo disto com total certesa pois fiz muitas barras com estes materiais e devido a isto hoje utilizo aços com teor de carbono um pouco maior assim evito que haja uma migração elevada de carbono de uma barra para outra, resultando em um alto enfraquecimento na retenção de fio e poder de corte, outro fato que faz pensar duas veses para usar baixo carbono é que em barras com menos de 300 linhas vc pode vir a ter varias linhas destes no fio , oque resultara em poder de corte zero, mesmo que vc use uma mistura de O1 + 1010 vc tera como resultado um contraste bom quanto a revelação, más as chances de ter uma lamina com poder de corte bom caem muito pois perdera muito carbono no ato de caldear e na migração que enevitavelmente alterara a estrutura de ambos aços.
Esta opinião é minha , e isto que escrevo é baseado em esperiencias que tive com barras que fiz anteriormente .

Ferrari
Leandro, comecei forjando 5160 e 1095 e depois comecei fazendo experiências com outros aços e retornei ao bão e véio 5160/1095, pois é a combinação com a qual me dei bem, e como diz o velho ditado: “Time q está ganhando não se mexe”.
Quanto ao cable eu larguei de mão… é trabalhoso e muito propenso a falhas na barra.
Infelizmente vc sabe melhor q eu a dificuldade de se encontrar aço aqui no Brasil, o q dificulta ainda mais o nosso trabalho.

R.Sfreddo
Olá amigos! Para damasco,uma combinação que eu gosto muito é 1095/L6. Tem uma grande capacidade de endurecimento,um bom nível de carbono(o que assegura uma boa conversão de martensita),uma boa resistência e o melhor contraste que eu já ví. Mas tem algumas desvantágens: o caldeamento é um pouco mais difícil,o recozimento e a têmpera têm que ser bem executados(com um bom forno elétrico)para se conseguir o melhor tamanho de grão,e a afiação é um tanto difícil. A liga de 1095/5160 é muito boa também,sendo mais fácil de caldear,de temperar e de afiar;tendo um desempenho muito bom. Pessoalmente, não gosto da idéia de utilizar aços de baixo carbono no damasco,pois diminui o nível de carbono sem necessidade. A única exeção é para lâminas japonesas,onde o objetivo é obter um nível de carbono de 0.7 e “jihada”(textura do aço,como um padrão muito fino). Para essas eu utilizo 1095/1020 na proporção correta para obter 0.7 de carbono à 1200 camadas.

Lepazini
Quanto a questão das falhas no cable tenho a ressaltar:
um fato que pesa muito na confecção do cable assim como nos damascos chain saw e no composite , é o tipo de forja, sim isto é um fator a levar em conta pois mesmo que vc limpe constantemente antes de bater estes damascos tem ou poder ter a principio espaços minimos livres entre os materiais a serem caldeados, com muita sorte e utilizando pedaços de carvão com medidas iguais “pequenos” e mantendo a boca da forja limpa”quando retirar a barra de aço deixe soprar uma rajada forte,por 5 segundos assim vc elimina as cinzas e pedaços minusculos que poderiam ficar entre as camadas , mantenha sempre o billet limpo e especial cuidado na parte que é a mais critica do cable, “na torção “pois esta é a hora onde vc não pode ter restos de cinza ou carvão grudados no aço pois no processo de torcer estes materiais podem vir a se alojar no centro do vergalhão resultando uma falha inevitavel , arruinando a peça, e só na hora da usinagem que vc pode vir a descobrir isto.
Em relação aos comentarios do Rodrigo dou total rasão foi ele quem me incentivou a usar o L6 , desde então só uso ele gosto deste material, mas ultimamente por dois fatores só uso ele em peças onde não sera empregado esforços de elasticidade na peça pois ele é um material que não tem uma boa qualidade neste aspecto, más em relação a contraste e poder de corte é inevitavel ressaltar que é o melhor material que já utilizei para este fim no damasco.

Padrões de Damasco

http://www.knifenetwork.com/forum/showthread.php?t=9343&goto=nextnewest

Jeff Velasco
Bem, agora que o pessoal já deu suas dicas sobre o que caldear com o quê, quais os padrões mais bacanas que andam por aí e como conduzir o caldeamento para conseguir os estéticamente mais agradáveis?
Eu particularmente gosto mais de dois padrões que observo com frequência em espadas japonesas antigas, mas que não sei classificar nos termos da cutelaria moderna.
O primeiro é um que imita o padrão dos nós da madeira, chamado de MOKUME: (prejudicado)
O segundo é de linhas mais ou menos paralelas, porém onduladas chamado AYASUGI:  (prejudicado)
O que vocês acham???

Ferrari
Caro Jefferson,
O padrão de damasco depende único e exclusivamente da imaginação do forjador. Os caras que mais entendem de padrões de damasco talvez sejam o Pazini e o Sfreddo, que trabalham muito com o damasco. O pazini tem uns padrões bem diferentes e ele sempre me surpreende pelas suas combinações e desenhos.
Creio que o padrão inicialmente pode começar com a barra já totalmente caldeada e com as dobras feitas. Podem se fazer cortes, furos e torções para dar o efeito desejado. Eu particularmente gosto muito do maiden hair, que consiste na barra torcida e logo após caldeá-la novamente até que vire uma barra chata.
Tem uns gringos que fazem umas coisas muito loucas. Quem viu uma faca do Josh Smith na revista Blade sabe o que é um damasco bem diferente e criativo.

Lepazini
Amigo Jefferson:
Estes padrões de espadas tenho certesa que Rodrigo podera te dar esplicações mais aprofundadas e mais corretas, pois quanto a espadas sou totalmente leigo, más pelos desenho “acho”eu que vc poderia ter algo muito parecido desenvolvendo o Rain Dropp que Esimples, basta vc pegar brocas de variadas bitolas e fazer furos aprofundando apenas atEa area do cone das mesmas e depois dar o formato final da lamina , o padrão Emuito bonito quando vc tem dois materiais que possuem contrastes bastante nitidos, o outro aparenta ser algo como o Wave , que vc pode conseguir sem muito esforço , basta vc ter a barra pronta e fazer falsas torções tentar torcer e voltar a barra para o sentido anterior, em zigue zague , assim eu desenvolvo estas ondas que aparentam no seu desenho, tenha sempre os espaços marcados pois se vc torcer uma parte mais do que a outro na hora da revelação fica desproporcional, fique atento tambem a distancia de um torção da outra , lembre se de forjar a peça e depois fazer isto.
San Mai – Apenas para salientar na ultima edição da Knives , o Mr Batson demonstra como se faz uma san mai de damasco meteorite , bastante simples .
Aproveitarei para lhe enviar alguns padrões de damasco que considero interessante e que ficam muito semelhante a alguns que vi no livro Nipon to que possuo.
Hoje fiz um damasco de 1095 eL6 com 700 linhas , para variar fui torcento a barra a cada dobra, assim o resultado final ficou muito parecido com o padrão nó de madeira que vc ressalta e mostra na foto, tentarei tirar alguma foto da mesma.

Ferrari
700 linhas!!!
Haja ‘fôlego…
Tenho batido muito damasco ultimamente, devido a uma encomenda e para algumas facas para o SPKS.
Alguém sabe qual o aço das serras fita de madeira (da grande)?

 Lepazini
Ferrari: O aço mensionado na maioria das situações é 1070 , salvo algumas rarissimas excessões vc podera ter 5160 , más quase todas as serras tanto de açougue quanto as utilizadas para marcenaria são de 1070, ok.
Quanto ao padrão digamos que ficou bacana, assim que um amigo vier fotografar as minhas facas eu colocarei foto no forum.

5160, o aço renegado!

http://www.knifenetwork.com/forum/showthread.php?t=9780&goto=nextnewest

Ferrari
É aço de mola!!! Quantas vezes já ouvi esta espressão…
Caros amigos, quando comecei a fazer facas, minha primeira lâmina foi de um pedaço de mola de Kombi, e até descobrir outros aços levou muuuito tempo.
Lembro que quando comecei a fazer facas mais seriamente, extrapolando o hobby, jurei nunca mais usar “aço de mola”.
Porém quando comecei a forjar redescobri este aço, que se comporta muito bem na forja, tempera que é uma beleza e tem uma excelente flexibilidade. Eu sei, eu sei… ele pode não dar uma dureza excelente como outros aços modernos, mas ele me acompanha desde o começo até hoje, e lhe sou fiel.
Vale lembrar também que em muitas competições de corte, quase a metade dos concorrentes utilizam o 5160, além de que muitos Mastersmiths e Jorneymen da ABS passaram no teste de Jorneyman Smith utilizando uma lâmina deste aço.
Acho que este assunto merece um tópico para discutirmos os prós e contras deste aço.

Callega
Pois é Ferrari, eu comecei pelo lado errado.. Quer dizer, a primeira foi de uma lima faca, como cabo de um isolador de chave faca de alta tensao..Tudo faca.. A segunda de uma serra, a terceira de uma faca de inox que transmutei..
Qdo peguei o gosto, comprei a bigorna, unas martelinhos de ajuste fino e construi a forja. Ai, influenciado por algumas literaturas nacionais, sofri de uma diarreia mental e comecei forjando VC131.. Estudei muito o aco antes de iniciar.. Mas é terrivel..Depois, VD2 (ou D2)… Cara, como a gente passa por fases de burrice.. Ai descobri o VMK, Velha Mola de Kombi.. Que descoberta..Foi mais ou menos que nem descobrir que o apoio da lixa deve ser de aço (e nao madeira ou Nylon)..Coisas simples, depois que se decobre..
O 5160 é (pelo menos pela literatura) o aço que mais perdoa erros de forja e tempera.. É ideal pra quem inicia, e quem já aprendeu fala que é um bom aço.
Sei que existem os 52100 e outros melhores, mas o véio VMK dá belas facas.
Na eletronica, existe uma coisa parecida. Um dos primeiros micro-processadores do mercado a se tornar popular, o Z 80 que eu conheço ha mais de 20 anos, até hoje nao foi completamente utilizado em seu potencial.. Na epoca o clock era abaixo de 1MHz. Hoje, os micro processadores tem clock maior que 1000Mhz. mas o Z80 continua firme e forte, sendo utilizado em muito CLP ..
Ou seja, o 5160 pode ser antigo como o ford bigode, mais ortodoxo que rotulo de maizena, mas é um aço bastante interessante.. Principalmete qdo o faquir (nao é este o nome de quem faz facas?) é principiante..

Cabete
Pelo visto estou começando certo.
Um ponto positivo é que tem muita Kombi sucateada pelo país e não irá faltar o 5160 tão cedo.
Meu primeiro protótipo foi sem recozer o aço e estraguei muita broca para fazer os furos.
Resolví agora fazer muitas facas do mesmo modêlo e mesmo aço ( 5160 de Kombi ) até que domine a arte do desbaste, da têmpera, do acabamento, etc…
Quanto achar que estou fazendo algo bom passo para outros modêlos e aços.
A experiência começou bem. Descobrí vários erros de desbaste na primeira lâmina, melhorei na segunda e acertei na terceira. Fazendo desta forma estou conseguindo medir meus progressos, analisar minhas falhas e quais devam ser as soluções. Está sendo um auto aprendizado bom. Este final de semana da eleição eu iria temperar as lâminas na forja à carvão aplicando umas dicas do Genésio mas esquecí de pegar um bom pedaço de cano na sucata da fabrica e não achei em casa, ficou para o próximo.
Já que estamos falando do 5160 quais os métodos para frear um pouco a corrosão no uso? Polimento, envelhecimento, o que mais ajuda a dar ao aço um ganho de resistência à corrosão?

Lepazini
Bem este topico é otimo agradeço ao amigo Ferrari por ter tido esta boa idéia, bem aço para mim é 52100 pois no meu conceito ele é um pouco duro de se forjar más é um aço espetacular de se trabalhar tem uma tempera rapida e tem um rendimento espetacular vc pode forjar um pedaço de 2.5″e consegue chegar a uma lamina de 7″com espessura de 5MM , a redução da massa é fantastica , vc pode ter uma faca muito leve e ao mesmo tempo resistente, quanto ao 5160 eu acho muito bom , vc aprende muito com ele acho que é o aço mais facil de se trabalhar, temperar , e dar acabamento, apenas acho que para o meu estilo de facas o 52100 é o melhor que exixte, muitas veses usei astes de amortecedor que são fantasticas para trabalhar apesar de muitas veses verificar que o poder de corte é quase neutro * pois em muitos casos é 4140 um aço com teor de carbono que gira em torno 0.20 assim é limitado, existem astes que são compostas de um aço semelhante ao 52100, não consegui ainda descobrir a nomenclatura do mesmo más tenho minhas duvidas se realmente esta astes mais duras são de 52100 pois ainda assim no forjar vc percebe que a massa destas aceita ser moldada com maior facilidade do que as de 52100 Virgem que já utilizei, de qualquer forma ambos aço são muito bons e em termos de custo muito baratos.
Quanto a sua duvida callega eu sugiro que vc analise a temperatura em que vc esta forjando o aço pois uma temperatura muito elevada , analise se sua forja não possui partes enferrujadas eo principal o seu sitema de tempera , aconselho que use o metodo da lata furada pois a temperatura interna e a forma de aquecimento que a lamina sofre é quase homogenia alem de evitar o contato com o ar oque pode resolver o seu problema com oxidação, em termos de polimento em meu conseito utilizo o acetinado pois é bem mais facil do cliente manter o polimento 100% ao contrario do espelhado que é necessario polir a peça em maquina.

Callega
Estava eu lendo algo sobre facas (obrigado Luciano Dorneles) eencontrei algo interessante: tempera tripla. Ja tinha lido algo a respeito,mas nunca sobre a performance deste tratamento..
Ed Fowlers, o autor do livro, da um grau de corte pra cada tratamento. Este indice é baseado no numero de cortes de uma corda de (pasmem) Hemp (maconha), mas pode ser canhamo.
– Stock Removal (desbaste) tempera simples – 163
– Stock Removal (desbaste) tempera tripla – 195
– Forjada tempera simples – 269
– Forjada tempera tripla – 509
Testes feitos com lamina de 5160..

Ivan Campos

Aço renegado? ferrari, vc está maluco?!
Há mais de dez anos sou um fiel usuário desse aço. Na verdade, eu uso 5160 tds os dias, cada vez que saio com a minha BMV (Brasa muuuuito velha…)

Ferrari
Caro Ivan, quando disse renegado, foi pura força de expressão. Hoje em dia tem muitos cuteleiros que utilizam este aço. Eu nem se fala, pois 70% do que eu faço é em 5160.
Já o 52100 é realmente um aço muito bom, principalmente pela sua retenção de corte, devido ao seu nível de carbono. Nunca utilizei o O1, mas tenho uma grande curiosidade em testá-lo.

Ivan Campos
Na verdade, já usei o 5160 mas hoje em dia só o uso para protótipos e para minhas experiências na forja.
E sobre as tais molas de Kombi, não há nada mais fácil de se encontrar – e mais barato tb – para quem quer iniciar no ramo, não?

Claudio
Ferrari, você foi muito feliz na escolha do tópico e tambem na escolha do aço, aquela trooper que adquiri de você é uma faca excelente, tem a facilidade de afiação na
medida correta (um companheiro aqui do meu batalhão tem uma faca de grife que tem de ser afiada a trotil de tão dura que é) enfim uma grande ferramenta

Ferrari
Fico contente em saber que vc está satisfeito com a trooper. Ela foi projetada realmente para o serviço militar. Antes de eu mandar pra vc, tirei alguns serviços com ela. Estou louco para que algum amigo vá fazer o Cigs, para fazer um facão em 5160, assim poderei testá-lo da pior forma possível, em um ambiente bem agressivo e que exige muito de uma ferramenta de corte. Infelizmente o COS está sendo ministrado somente para os pessoal que serve na amazônia.
Por falar em trotil, uma vez destruindo engenhos falhados, cortei a mão com um canivete nacional (não vou falar o nome pra nem fazer propaganda…) e jurei nunca mais usar um canivete sem trava para esta missão.

Ikoma
Ferrari, o 5160 é igual carne de vaca, por mais que você se acostume com ele ele nunca vai deixar de ser consumido, praticamente todo mundo que eu conheço que faz facas já usou ele uma vez na vida, hoje a gente tem acesso a praticamente qualquer tipo de aço disponível no mercado internacional, más quando eu comecei, ou você usava mola de fusca/kombi ou usava uma lima, bom se eu usasse a lima pra fazer a lâmina como é que eu ia desbastar a faca, dai então eu também comecei com mola de fusca/kombi.
Agora é a hora de ser chato, ou melhor mais chato, Pazzini pelo que eu saiba o 4140 tem uma porcentagem de carbono de cerca de 0.40%, pois os dois últimos digitos representam a quantidade de carbono no aço e os dois primeiros os elementos de liga, um aço p/ ser considerado temperável precisa ter cerca de 0.40% de carbono na liga, caso contrário sua tempera vai ser muito pobre, sei que podem ocorrer variações na quantidade de carbono, más acho 0.20% é muito pouco p/ um aço temperável, já que essa é a quantidade de carbono aproximada do aço 1020, que costumamos comprar como “ferro”. Callega você tem certeza que se trata de tripla têmpera? Eu não sei quais os processos usados pelo Fowler, más até onde eu sei o comum é duplo ou triplo revenimento, pois a palavra “temper” em inglês significa revenimento, os multiplos revenimentos são muito usados p/ diminuir a “autenita retida” (particulas do aço que não endureceram durante a têmpera, más que estão propensas a endurecer no revenimento e ou tratamento criogênico), posso estar falando besteira (não vai ser a primeira vez), pois não li a matéria do Ed Fowler que você cita, más pela confusão que a palavra “temper ” costuma gerar e pelo fato de que multiplos revenimentos são bastante comuns (praticamente todas as tabelas de tempera que eu tenho, recomendam o duplo ou triplo revenimento) resolvi tocar no assunto.

Ferrari
Caro Ikoma, não mexe com meu aço não cara! Só pq vc trabaia com esses CPM da vida, vai tirando sarro?
Brincadeira… vc sabe que sou o maior “moleiro” do Brasil.
Quando às hastes de amortecedores, que até hoje estão dando um nó nas nossas cabeças: recentemente me disseram que poderiam ser 1045 cementado. Mas como o Leandro falou em 4140, lembrei que o 8640 é o aço próprio para cementação. Então acho que pode ser tb este aço. Mas como o Fisk disse, pode mudar muito de fabricante para fabricante.
É como aquela pesquisa que nós fizemos sobre os sabres de motosserra: varia conforme o fabricante.

Lepazini
Amigo Ikoma:
aqui esta a tabela de composição do 4140:
Analise tipica : C 0.28 – 0.40 , Mn 0.85 – 0.92 , Si 0.25 , Cr 0.95 , Mo. 0.20
Devido a massa conter esta variação de carbono é muito capaz que por isto resulte em dureza final muito baixa.
isto olhando em tabela de Villares, já na da Admiral resulta apenas alteração no teor de carbono pois como vc já mensionou sempre era visto o teor de carbono pelos numeros finais, assim na tabela da admiral ele figura como 0.40 , mesmo assim com 0.20 de carbono ele ainda tem algum poder de corte, levando em consideração que no Brasil temos um unico aço destinado para cutelaria e que por sinal se o tratamento térmico for bem feito ele apresenta um bom rendimento o aço tem apenas 0.20 e é bem temperavel é o 420C , que todos já usamos e a maioria das empresas nacionais o usam pois é um aço relativamente barato.

Ikoma
Putz Leandro
Com uma variação de carbono tão grande fica muito difícil manter-se a qualidade das lâminas, o melhor mesmo é escolher um aço com teor de carbono mais alto para se ter uma margem de segurança maior, é claro que esse é o ponto de vista de alguém acostumado a trabalhar com aços com teores de carbono superior a 1%
Quanto ao 420 você está certo quanto a quantidade de carbono, porém ele tem uma boa quantidade de cromo que ajuda na formação de carbonetos, podendo assim ter uma quantidade de carbono um pouco menor, porém na minha opnião (é somente minha opnião) acho que o 420, mesmo bem temperado deixa muito a desejar.

Lepazini
Carbonetos
Amigo Ikoma por isto eu desconfio das astes, pois elas contem, Mo , isto deveria auxiliar ainda mais , pois é um elemento resistente, algumas astes não chegam a ter dureza alguma, após temperar uma para teste consegui desbastar a mesma com uma lima velha, é mole?
Já em minha opinião acho o 420 é um aço barato e bom pois mesmo que vc consiga uma tempera com ótimos resultados vc consegue afiar ele facilmente , alem de ter um bom desempenho em qualquer tipo de lamina desde canivetes até espadas, a maior vantagem dele é que para enferrujar é muito raro alem de ser barrato, para peças em produção é sem duvida alguma o mais recomendado, claro que não o usaria para uma faca de U$ 500 pois seria fora de ética , más para ser usado em facas baratas é muito bom.

Cabete
Ferrari, estou entrando para o seu time!
Hoje fiz minhas primeiras têmperas do 5160, usei meu vulcão de festa junina que é minha forja à carvão e o método do cano com furos e um lado tapado, dica do Genésio. Temperei três lâminas que havia feito de mola de Kombi e não ocorreu empenamento em nenhuma. No teste da lima parece-me que ficaram boas, esta semana vou levar para testar a dureza. Revení no fôrno da cozinha apenas uma vez. Pela sua experiência qual a dureza que devo esperar para considerar que a têmpera foi bem feita?
Revenir mais de uma vez ajuda alguma coisa ou não faz grandes diferenças? Pretendo continuar neste aço e no mesmo modêlo de faca até considerar que estou dominando bem a lixadeira, a têmpera, o encabamento e outros detalhes. Só depois irei passar para outros aços. É claro que como principiante usei o método de desbaste. Mais prá frente aprendo a forjar.

Lepazini
Por esperiecia propia se vc puder dar pelo menos 2 revenimentos , pois as temperaturas do forno de cozinha não são precisas, a melhor forma é em um forno propio para isto, más acredito que com dois revenimentos bem feitos não ocorra problemas , o principal é aredução do tamanho do grão , pois isto influencia na qualidade da lamina, um grão muito grande pode surtir no futuro um ponto mais fraco na faca, este se torna mais propicio a trincas e rupturas, quanto ao encabamento e demais tecnicas isto é muito pessoal como vc mensionou tenho certesa que dentro de pouco tempo vc tera adquirido uma técnica propia muito boa , parabens pelo livro.

Ferrari
Caro Cabete, o Leandro tem razão! faça no mínimo 2 revenimentos de uma hora cada. A cor ideal será um amarelo palha. Se vc não possui um forno elétrico faça no forno da patroa. No meu eu utilizo a posição médio baixo a consigo um amarelo palha bem distribuído pela lâmina. Um bom revenimento ficará em torno de 176º a 200º C.

440-V ou S-60V

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Ikoma
O 440-V ou S-60V é um de meus aços preferidos, principalmente depois do canivete pronto, pois ele é muito difícil de ser trabalhado, principalmente na hora do acabamento, quanto a afiação realmente não é muito fácil, mesmo p/ mim que uso lixadeira tive que fazer algumas adaptações, a afiação depende muito da precisão do desbaste, por isso tive de mudar a grana das lixas, como o Berr disse aumentei a grana das lixas, pois quanto mais rapidamente a lixa retirar material, menor a chance de causar aquecimento, outra coisa que costuma fazer é reservar uma lixa nova só para afiação, pois lixas velhas tendem a deixar o fio arredondado e queimar a lâmina, o que além de ineficiente é feio e pode prejudicar a têmpera. Não tenho muita prática em afiação manual, más algumas regras da afiação na máquina são as mesmas p/ a afiação manual. Antes de falar sobre a afiação propriamente dita, gostaria de fazer alguns comentários sobre o S-60V (440-V), pois ele é um aço bastante complexo, o S-60V é um aço de ultima geração, com alto teor de vanádio, o acréscimo de vanádio na liga do aço aumenta a resistência à abrasão (desgaste), isso quer dizer que depois de temperado você tem um aço que mantém o fio por mais tempo sem necessariamente ter que ser mais duro, na verdade o S-60V é um dos aços que é temperado mais “mole”, cerca de 56 a 58 HRC, pois essa é a melhor relação resistência ao desgaste/resistência ao impacto e resistência à corrosão para esse aço, por isso o fato dele ser muito difícil de afiar não é devido à sua dureza, más sim devido à sua alta resistência à abrasão, o que na verdade é uma das maiores características desse aço.
Bom, falando da afiação propriamente dita creio que no caso do S-60V seria recomendado iniciar com uma grana mais grossa para reformatar o fio, ou no caso do fio não estar muito danificado você pode ir diretamente para uma grana mais fina, mas é muito importante principalmente no caso de pedras diamantadas, usar-se uma pedra mais nova, pois devido a alta resistência ao desgaste a chance de arredondar ou deformar o fio é muito grande, e isso prejudica bastante o fio.

 

Cuteleiro Argentino e Damasco

http://www.knifenetwork.com/forum/showthread.php?t=10205&goto=nextnewest

MGugliotta
Un damasco de alto contraste, W1 y 3310.

Lepazini
Estibe yo a procurar este acero 3310 , perlo que en brasil no se conecem, ustede tiene la composicion de lo mismo? Pois me gusto del contraste que te resulta, yo quiero saber se tiene una boa composicion, como Ca ? Cr? e los otros compuestos. Pois in mi damascos yo uso 2 composiciones, una para cuchillos pequenios que es de 1095+L6 e la otra para cuchillos que es mas grandes esta yo uso 5160+1095.

MGugliotta
Los damascos de “alto contraste” los solemos hacer con w1 y 3310, el 3310 es un cromo niquel, casi no tiene carbono, pero al no tener factor de transferencia la perdida del W1 es minima, por lo tanto la dureza es muy buena. La unica contra es que es bastante dificil de pegar, lo pegas, pero si se tocan las capas de 3310 entre si no lo pegas mas. Igual cuando un cliente lo pide (y lo paga) le hacemos un San Mai de W1, u O1. Porque usas 5160?, no te combiene usar un 1070?, da un patron mejor definido (es solo mi opinion). de todas formas el L6 es muy buen acero, y da buena dureza.

Lepazini
Quando yo utilizo 5160+1095 yo tiene um bueno poder de corte , alem de ustede tiene una composicion muy buena em termos de elasticidad, asi para pieças com lagas dimenciones es fabuloso, mesclando um alto carbono e um mola, lo contraste tambien’es muy bueno, já fiz de 1070+L6 , perlo que me gusto mas de 1095+L6 para pieças pequenias, es muy duro, perlo que se ustede ace um bueno revenimento la pieça es imbativel quando se abla em poder de cuerte. já utilizei damasco com 7 tipos de aceros, pero que hoy acho mejor utilizar apenas 2 tipos, yo já fiz alguno damasco inox, como desta composicion 420+320 e lo otro de D2+320 , perlo que no me gustei de la qualidade que yo consegui, alem de que para acer la normalizacion desto es muy complexa, e la tempera no ace a cer muy buena , se pierde mutio Ca , quando tiene que acerlo caldeamento de D2 , e quanto a lo acero 420 Es muy pobre, hoy me gusto de damasco, e para pieças simples utilizo 52100, e lo 5160 en my opinion são los mejores e mas faceis de se trabajar, lo poder de cuerte es muy bueno , que aceros uste utiliza en tu pieças simples?

MGugliotta
Para los cuchillos “simples” usamos 9260, 52100, 5160, W1, W2, O1, O2, y lo que pida el cliente

Lepazini
Me gusto mas de damasco com torcion, pois esto tiene el podere de corte mejor, perlo que yo me gusto de que tienem 2 barras, aci tambien tiene una estrutura mas fuerte, muy bueno desenho, tambien me gusto de O1 perlo que no más o uso, yo no me gusto mutio de aceros que tienem Vanadium, por esto que tambien no trabajo mas com D2, Quanto ao damaco inox, lo sistema es muy parecido com lo do damasco inox, apenas la diferencia es que ustede tiene que acalientar en temperatura por mas tiempo, lo mas facil de se caldear es la composicion de 420+320 esto ustede ai que dexar mas tiempo, para que tenera una homogenia temperatura, para lo damasco de D2+320 es mas dificil, pos D2 tiene que ser aquecido muy vagarosamente, assy ustede no pierde mutio material, perlo que no me guste de la qualidad, de my damasco inox, e lo tiempo que ustede tiene que dexar la pieca en la forja es muy longo, para lo primera caldeado yo demore como 1 hora, en tiemperatura de caldeamento, en lo damasco inox, no ai sinal de descarburetacion, como en damasco carbono, asi ustede ai que quedar atento a la color de lo acero, se te cierve de ajuda, no tiente fazelo en forja de Carvon, pois la impuresa de carvon, te gruda no acero e empiede que te caldee, tente con la forja a gas que lo resultado sera mejor, yo no consegui acer muy desenhos, solo lo Randon, perlo que mesmo aci, la qualidade se queda mal, hoy yo no tento mas testes com lo inox, perlo que se ustede te consiga aceros Suecos, como Devin thomas, es muy mas facil de caldear, pois la composicion son mas buenas.

MGugliotta
La misma pregunta que te hice la hice en el sword forum, nadie, nadie me supo dar la explicacion que vos me diste. Gracias!!
Yo habia hecho algo de inox, pero entubado, en un compartimiento cerrado, lo cual es bastante engorroso.
Ademas el procedimiento es tan largo que se volvia muy caro, y nadie me lo pagaba.
Pero ahora voy a probar otra vez!!!

Lepazini
Me torne a pensar sobre el damscado inox, uno otro fato que es muy importante para que ustede consiga uno resultado com mejor qualidad es que tiene que tener las chapas de acero mas finas, la mas anchas es muy dificil de te caldear, yo consegui um mejor resultado quando use chapitas mas finas com 2mm de espessura, ae que soldar tambien nas laterales del billet, pos ao tomar la temperatura de caldeadura esto puede te ajudar a mantener las barras juntas, el las puentas tambien ai que soldar, utilize la solda inox , pois las soldas de carbono astem queimar pela demora de tiene que bajar lo acero en la temperatura de caldeadura, nos es muy facil de conseguir, más yo tentei esto 2 anios, para conseguir conecer la temperatura e como tieneria que montar lo billet, em my opinion comece con los aceros mas faceis para acer una esperiencia, 420 e 320 son los mas baratos e mas faceis de conseguir la caldeadura, para el D2 e 320 es mas complicado e tiene que acer em temperatura más baja.

MGugliotta
Hay alguna empresa en Brasil que venda L6 en chapas de menos de 1mm?
Aca solo se consigue en bloques, nada menor a 18mm.

Lepazini
Aca en Brasil pude tener acero L6 com la espessura de 1.5mm, pero que te custa muy caro, como cerca de 4.80U$ o Kg, nos otros estamos a utilizalo en forma de sierras de corte de acero, esto nos otros conseguimos en las grandes emplesas de corte de acero, las sierras son descartadas pos no se conseguem afilalas , asy se quedam a jogar fora, creo que ustede puede conseguir tambiem en distribuidoras que cortam aceros en argentina, la ora de sierra geralmente tienem medidas anchas como 4 Mt de comprimento e la espessura es de 1.5mm la
largura podem variar, pois tiene la medida ancha que es de cerca de 3cm, e la otra es menor com cerca de 1.5 cm, se ustede concequir, ace un teste para mirar la qualidad, ou te perguntas para estes señores de las emplesas de cuerte podem te ablar se es L6 , pois la emplesa que negociam esto solo lo viendem em quantidad larga.Asy te especificam que material es las cieras, pos tienem mutias otros compostos que son echas , asy como 1070,5160 , e seguem, más para lo cuerte de aceros quase todos se utilizan de L6.

Comments
2 Responses to “Aços e Damasco”
  1. Christopher disse:

    Olá me chamo Christopher, sou novo na questão geral da cutelaria, pois a sigo por Hobby gostaria(preciso) de ajuda, li os posts e achei interessante a troca de informação mas como novato não intendi nada sobre os aços que comentaram 5160, 521000, 1095…. Podem me ajudar, como faço/ ou compro uma fornalha? Martelete faço/ ou compro? Metais, aços, ferro o que devo saber do básico deles, tipo: Tempera, combinações, tratamento térmico, produtos a se usar (Ácidos, alcalinos,o melhor liquido para a temperação) o básico seria muito bom que os mais antigos me esclarecessem estas dúvidas. Muito obrigado.

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