Lendas da Cutelaria

Lembrem-se que as opiniões expressas, preços de coisas, idéias, métodos de trabalho, etc podem se alterar conforme a experiência do cuteleiro e o tempo que passou desde a informação.

 

Aço Cirúrgico

http://www.knifenetwork.com/forum/showthread.php?t=8808&goto=nextnewest

Leandro Pazini
Amigos, tenho uma duvida , qual seria o verdadeiro aço cirurgico, pois desconheço qual é o verdadeiro aço muitos citam o 440, alguns falam que é 420, mais seria muito bom apenas por curiosidade saber qual é o real aço cirurgico.

Ferrari
Realmente esta talvez seja uma das lendas da cutelaria. Apesar de ter lido bastante e ter contato com muitas pessoas da área médica posso afirmar categoricamente que: NÃO SEI!
Em minha opinião deve ser 420, pois é um aço acessível, barato e de grande produção. Bisturis e outros instrumentos de corte são utilizados poucas vezes, o que habilitaria plenamente o 420, pois não haveria necessidade de uma retenção maior de corte. Tb tem q se ver que o 420 é o aço inox mais usado em escala industrial para a área de cutelaria, enquanto o 440C foi projetado inicialmente para indústria aeronáutica e depois foi introduzido na cutelaria pelos cuteleiros artesanais.
Estas são apenas suposições. Peço a alguém que me corrija se estiver errado ou falei alguma besteira.

Cabete
Tenho um co-cunhado que é cirurgião plástico. Quando encontrar com ele vou ver se ele pesquisa para nós. Ele já me disse que a qualidade dos bisturís varia enormemente e que alguns mesmos Zero Km não cortam bem.
Eu tenho curiosidade em saber como era antes dos descartáveis, no tempo em que tinha que reafiar e esterilizar. Acho que cromeavam aço carbono pois aço inox nem tinha, alguem sabe em que ano surgiu o inox ?

Ricardo Lala
Meus colegas que me desculpem, mas chega a me doer os ouvidos, quando ouço esta expressão “aço cirurgico”, este termo não exite na prática e é ilógico pensarmos desta maneira, deve ter sido mais uma criação de alguém parecido com o tio que queria se livrar logo de um cliente que o questionara muito sobre a qualidade de seu aço….
No mercado existem dezenas de tipos de aço que se prestam perfeitamente à produção de bisturis e instrumentos cirúrgicos, não existe um aço determinado a ser o “único” para esta função, e a cada dia surgem outros, portanto especificar este ou aquele, somente se for o caso de uma empresa que opte por algum deles e determine que o seja, mas no geral, qualquer aço pode ser usado em uma cirúrgia, desde que seja o que se tenha à mão, no momento.
Portanto vamos desmitificar esta idéia, quem não conhece fica pensando em algo inatingível, como se fosse a oitava maravilha da cutelaria, depois das facas russas que não precisam ser afiadas nunca…..

D’Bem
Voce pode acreditar com certeza doque disse, os bisturis, eram mesmo cromados, ou ainda niqueladoas, digo isto porque durante muito tempo esteve em meu poder uma caixa de instrumentos que pertenceu a meu falecido pai, que de profissão era farmaceutico, naqueles tempos em que farmaceutico era como hoje enfermiro padrão em cidade que não tem medico, tinha que saber quase de tudo, nesta caixa aviam dois bisturis , e todos os dois com laminas não cambiaveis, e elas oxidavam.Sinto dizer mas elas se perderam no tempo, visto que concordamos digo concordamos pois eu meus irmãos em doar a caixa toda para um museu que estava sem montado. Hoje existe uma maneira de sabermos quais são os aços com que são confeccionadas as laminas descartaveis, é descobrir um contato com alguem dá Simens do Brasil e ver se consegue um analise em seu espectrometro de massa. Eu da minha parte concordo com o Ricardo quando diz que pode ser um aço inox qualquer, dado a vida util que tem.

Ricardo Lala
Como disse o D’Bem, os instrumentais antigos eram todos em aço carbono, com um bom banho de cromo, mas descascavam, e portanto oxidavam, até surgirem os primeiros inox, talvez algo parecido ao 420, isto foi na década de 40, por volta da segunda guerra, se não me engano, mas somente chegou ao mercado alguns anos depois, e causou muitas mudanças na tecnologia em geral, e na utilização dos utensílios.

Conservar lâminas, empunhadura e bainhas com manteiga e outros produtos estranhos

http://www.knifenetwork.com/forum/showthread.php?t=9135&goto=nextnewest

Cabete
Esta história, divulgada até por alguns fabricantes, de se usar manteiga ou óleos vegetais para mim é o fim!
Como não explicam direito as coisas e brasileiro já não tem o hábito de ler manuais e instruções nas embalagens imaginem o que acontece com a faca do cidadão que a lambuzou de manteiga ( às vezes com sal ), enfiou na bainha e guardou?!!
No mínimo o cheiro de ranço vai impregnar na bainha e ela vai ficar com aquele delicioso cheirinho de urina de rato.
Dependendo do tipo de empunhadura também tem que se tomar muito cuidado com os óleos de carro ou sprays desengripantes pois atacam violentamente certos materiais.

Desmistificando mitos e lendas absurdas

http://www.knifenetwork.com/forum/showthread.php?t=10123&goto=nextnewest

Jeff Velasco
Olá pessoal,
Durante muito tempo tenho visto muitas coisas no mundo da cutelaria artesanal que não me agradam, mas a pior de todas é a criação de mitos e lendas que ajudam o contador de estórias a vender mais. Esta semana, fazendo uma pesquisa simples na internet, achei diversas páginas com as maiores besteiras do mundo sobre espadas japonesas (em português devo acrescentar) o que muito me desagrada. Logo decidi iniciar este tópico para desfazer mitos ridículos criados por péssimos profissionais. Quem souber de algum conto lendário que não passe de besteira propagandística, por favor, exponha o fato. Vou começar eu mesmo, para dar o exemplo de que tipo de coisa eu estou falando.
1. KATANAS AUTÊNTICOS X KATANAS FEITOS FORA DO JAPÃO
Existem diferenças fundamentais entre os katanas produzidos no japão e os produzidos em outros países, ATÉ MESMO POR DESCENDENTES JAPONESES OU JAPONESES MESMO pois estas diferenças residem na disponibilidade de materiais. O niho-to, ou espada japonesa (a de verdade) é feito a partir de minério de ferro que é minerado nas montanhas do Japão. Vem cheio de impurezas típicas daquelas terras que são gradativamente limpas quando deste minério é feito o aço (tamahagane) e depois este aço é caldeado. Porém 100% de pureza é impossível, e estas impurezas são responsáveis por aspectos únicos das espadas feitas lá (como coloração e reação à tempera seletiva), com tais minérios. Logo, as espadas feitas com aços modernos (mesmo que sejam feitas por japoneses fora do Japão) não são a mesma coisa e portanto NÃO PODEM SER VENDIDAS COMO TAL, ou seja, avaliadas como antiguidades dignas do mesmo valor histórico. A sobrevalorização de espadas neste sentido (muitas delas disponíveis no e-bay, por exemplo) é uma tática para facilitar a venda, agregando ao produto um valor que ele não tem de fato. Devemos no entanto fazer uma diferenciação fundamental. As espadas produzidas por métodos modernos, com aços modernos e e VENDIDAS como espadas modernas SOMENTE EM ESTILO JAPONÊS são uma categoria a parte e negociadas a parte, mesmo que muitas vezes os preços sejam muito semelhantes, ou até maiores, e sendo feitas por espadeiros ocidentais ou não. Esta diferença se dá para que o colecionador não compre gato por lebre. Além disso, um dealer ou colecionador que precise usar de tais métodos de venda, ou seja, mentir sobre a originalidade da lâmina igualando-a a originais japonesas, atesta sua falta de conhecimento e a baixa qualidade de sua mercadoria já que poderia muito bem anunciar a arma como uma moderna e conseguir ainda um bom dinheiro por ela. Tudo se resume a credibilidade da pessoa com quem se está fazendo negócio e à qualidade do item em questão.

2. CERTIFICAÇÕES DO GOVERNO JAPONÊS
Não existem nem nunca existiram autorizações especiais do governo japonês para fazer espadas ou polir (afiar) espadas fora do Japão. Toda e qualquer pessoa que clama ser “o único autorizado pelo governo japonês a fazer tal coisa” é um sem vergonha descarado vendendo uma mentira e provavelmente com a mesma qualidade de suas declarações. Por um princípio simples e lógico do direito internacional nenhum país pode legislar sobre qualquer atividade desenvolvida fora do seu território, logo as assim chamadas autorizações deste tipo são totalmente fraudulentas. O que existe a NBTHK (Nihon Bijutsu Token Hozon Kyokai, ou sociedade para preservação das artes da espada japonesa) entidade não governamental japonesa, subsidiada pelo governo japonês, que emite certificados de autenticidade para espadas originais (bem como avaliação) para os sócios, cursos e palestras educativas, organização de eventos (competições e mostras diversas nas áreas de forjamento, polimento e montagem), fundição tatara (onde se funde o tradicional minério de ferro japonês da maneira original para preservar a matéria prima original) e publicação de revista mensal especializada. Nada mais.

3. TRADICIONAIS X MODERNAS – QUALIDADE
Muita besteira já se disse sobre a qualidade e as capacidades das espadas japonesas. As espadas japonesas dobram, quebram e nicam como qualquer outra. Se trata de aço, ferro com carbono como qualquer outra espada do mundo e vai sofrer danos se usada de maneira inapropriada como qualquer outra. Se considerarmos ainda o tipo de polimento altamente especializado e preciso, pode-se afirmar que em alguns poucos aspectos elas são ainda mais frágeis que as ocidentais, o que exige muito mais da habilidade da pessoa que manuseia a espada. Espadas japonesas foram feitas para cortar carne, bambu, rolos de palha ou tatami e é por isso que todas as escolas antigas de artes marciais tem técnicas especiais desenvolvidas para luta em campo de batalha contra inimigos armadurados. Tendo tudo isso em mente, é um equívoco pensar que uma espada feita a 400 anos, com a tecnologia disponível naquela época seja tão resistente quanto uma que é feita hoje com aços modernos. Os aços usados no Japão (e que ainda hoje são usados para confecção de katanas para a preservação da tradição, pura e simplesmente) eram produzidos de uma forma completamente artesanal e precária se comparada com os métodos modernos de controle de porcentagem de carbono, fundição em atmosfera controlada, controle de impurezas e elementos de liga, entre outros fatores. Isso sem contar com aços ultra modernos feitos a partir de tecnologias de metalurgia do pó onde o controle sobre estas variáveis é ainda maior. Logo é possível afirmar com certeza que uma espada moderna SE BEM FEITA, COM A GEOMETRIA CORRETA E COM O TRATAMENTO TÉRMICO PERFEITO terá uma performace melhor que as feitas pelo método tradicional. Isso é um fato científico da metalurgia e não simplesmente a minha opinião sobre o assunto. O que faz o valor de uma espada original japonesa é o resultado ainda surpreendente obtido com uma tecnologia obsoleta e primitiva além dos diversos aspectos artísticos que são dificilmente reproduzidos em espadas modernas, mas que pouco ou nada interferem na qualidade de corte da espada.

4. SAKABATO
PELA ÚLTIMA VEZ, A ESPADA DO KENSHIN NO DESENHO ANIMADO DO SAMURAI X É UMA INVENÇÃO DO DESENHO. NUNCA EXISTIRAM ESPADAS COM O FIO AO CONTRÁRIO E ELA NÃO TEM NADA DE TRADICIONAL OU ORIGINAL. O que existia sim eram raríssimos tantos sem ponta e com fio ao contrário. Sobre eles Richard Stein diz:
Quote:
“…The kubikiri (kubigiri) is an unusual form for a Japanese tanto. On a kubikiri, the cutting edge is on the inside curvature (extreme uchi-sori); most are of the kiri-ha shape and have no kissaki (point). There were several possible uses for the kubikiri. The term “kubikiri” is traditionally translated as “head cutter”. This style of tanto may have been carried by attendants to high ranking samurai whose job was to remove the heads of dead enemies as “trophies of battle”. While this usage was possibly real in ancient times, in later eras it would have been largely a ceremonial sword used possibly as a badge of rank. Some people also call this style of tanto a “doctor’s knife”. As the kubikiri had no point (kissaki), it supposedly could not be used offensively and was therefore carried by those persons of stature who were entitled to wear a sword, but who were “non-combatants”. Most likely this style of tanto was made for wealthy individuals as tools for trimming bonsai and doing garden work, similar to the saw tanto below. Tanto of this type date from the Meiji to early Showa eras, a period when most sword makers and koshirae artists had little work making traditional swords. Whatever the usage, this style of tanto is relatively rare in Western collections…”
Crianças: o desenho é bacana, mas a espada não existe nem nunca existiu. Não me perguntem mais sobre ela.

Ferrari
Caro Jeff, Muito bom este tópico, pra debatermos as idéias errôneas que são difundidas no mercado de cutelaria. Estes esclarecimentos sobre lâminas japonesas são bem profundos e podem abrir os olhos de muitas pessoas. Eu mesmo entendo muito pouco de cutelaria japonesa, e o pouco q sei até hoje é graças a este forum, devido a este não ser meu estilo na confecção de facas.
Graças a Deus, nossos colecionadores hoje estão muito mais informados que em tempos passados, e dificilmente caem em bobagens ditas somente para impressionar leigos.
Existe uma série de mitos sobre cutelaria: têmperas “mágicas”, Aços “misteriosos”, “rituais” de forjamento… Quando qualquer pessoa escutar este tipo de coisa, cuidado! Tem alguém querendo passar vc para trás!
Infelizmente, grande parte do público apreciador de cutelaria tem poucos informações, às vezes são juntadores de facas, sem nenhum critério de coleção, e caem na lábia de pessoas que visam somente o interesse financeiro, divulgando inverdades e mitos para este intento.

JosuéH.M.Araujo
Eu concordo com os dois, mas devemos lembrar que algumas lendas mitos são uma forma de passar a diante conhecimentos, pricipalmente em culturas onde a comunicação escrita não se desenvolveu ou é inexistente.
Dai que é preciso um pouco de cuidado ao analisar certas lendas ou mesmo ritos e mitos.
Uma lenda ou Historia é a tempera com sangue, Só sei um pedacinho. Mas analisando a tal lenda, alguns se referem a cor rubra do aço, semelhante ao sangue fresco, arterial, uma vermelho vivo. Que numa cultura de guerreiros seria facil de lembrar. Ou a tempera em urina de camelo. Têmpera em ureia.
E por ai Vai…
Mas criar historias para vender…
Não é boa politica.
Mentira sempre teve perna curta.

Jeff Velasco
Se as picaretagens ficassem na área de espadas japonesas até que o mercado não estaria tão mal, afinal este é um produto muito específico dentro do mercado de cutelaria e o impacto na cutelaria como um todo seria pequeno.
O que eu quero iniciar é um debate sobre outros aspectos como têmperas misteriosas, durezas absurdas (que altrapassam a capacidade dos aços conhecidos), capacidades reais do damasco e outros mitos criados para vender para as pessoas que tem pouco ou nenhum conhecimento técnico. Em outras palavras confrontar ignorância com ciência.SEJAM ESTES MITOS SOBRE ESPADAS JAPONESAS OU QUALQUER OUTRO TIPO DE LÂMINA.
Inicio o debate com o assunto que me compete pelas informações que tenho mais conhecimento para passar.
Josué:
Uma lenda é apenas isso, uma lenda. Pode ser usada como ilustração mas nunca como fato. E pergunte a qualquer cuteleiro quantas vezes ouviram falar nesta besteira de temperar espadas em sangue nos maiores tons de seriedade e credibilidade que você terá um panorama real do dano que estas lendas levadas a sério causam no mercado.
Sinceramente não acredito que exista um lado bom nisso tudo.

Cabete
Velasco,
Dependendo do tanto de cerveja no caco este tipo de picarêta diverte muito a gente !!
Não sei se foi neste forum ou no antigo que abordei tema semelhante.
Tive a felicidade de conhecer ao vivo e a côres o falecido Zakharov e não vão me dizer que só por ter morrido ele ficou bonzinho! Em alguns minutos de conversa tomei antipatia por êle pois o mesmo me tratava como se eu fosse o maior otário do mundo.
Que as facas dêle eram as melhores do mundo êle falou uma dezena de vezes, que êle havia inventado o cabo sem rebite falou mais uma dezena de vezes, que êle havia inventado uma afiação especial falou outra centena de vezes, que havia inventado aquelas facas de cortar cinto de segurança para os Anjos do Asfalto, que o aço era de uma fórmula secreta feita especialmente para êle ( sabemos que é o VC 131 extremamente duro e quebradiço ), sobre esta têmpera especial, e muitas outras coisas e terminou dando um espetáculo de cortar arame farpado sobre um ferro usando o dorso da lâmina ( cisalhando o arame ). Coisas que realmente impressionam o leigo mas irritam profundamente quem tem o mínimo de conhecimento.
Espero firmemente que a família dêle saiba aproveitar o nome que deixou e mude esta filosofia tornando-se então uma cutelaria séria.

Jeff Velasco
O problema das facas Zacharov é clássico. Pena que não é o único. Mas eu não estava falando dobre ele, já que, de fato, ele colocava aquela dureza nas facas dele. Pior é quando vemos um site anunciando facas de durezas acima de RC 70 o que é quase impossível de se conseguir em qualquer aço. Ainda mais com o tratamento térmico disponível para cutelaria artesanal (sem atmosfera controlada, etc.) e ainda achando que isso é sinal de qualidade!
Tenho um colega de faculdade que me pediu pra reformar uma faca de sashimi que ele tinha. Disse que era a melhor faca que já tinha usado, sem dúvida uma das melhores do mundo! Mas a tia dele usou a faca pra destrinchar um frango, e cortando os ossos do bicho deixou a melhor faca do mundo com mais dentes que um serrote! Claro, era uma Zacharov.. e elas nem chegam perto de RC 70… mas esses caras estão lá… espalhando estas besteiras.
Entende o que quero dizer?

Ricardo Lala
A velhice do aço
Quote:
“é um equívoco pensar que uma espada feita a 400 anos, com a tecnologia disponível naquela época seja tão resistente quanto uma que é feita hoje com aços modernos. “
E também é sempre bom lembrar que o aço depois de seus duzentos anos, começa a sofrer de velhice, chamada de desagregação molecular, e portanto não teria a mesma resistêcia de um forjado hoje.

Cabete
Eu conheço faca que chega a dureza de 74 RC : facas de cerâmica em óxido de alumínio ( alumina ) e quando fizerem com o óxido de zircônia deverá ficar por volta de 94 HC pois é esta a dureza que tenho em peças destes materiais que uso na trefilação de cobre.

Luisfbm
Sobre temperar lâminas com sangue, se não me falha a memória no livro Mob Dick de Hermam Melville existe uma passagem onde o capitão Ahab tempera a lâmina do arpão com o proprio sangue cortando o polegar, mesmo com toda liberdade de criação poética essa foi dura de ler. Depois dessa eu passei a torcer pela baleia, que em fime foi interpretada por um boneco de cachalote.

Ferrari
Caro cabete, voltando ao assunto da dureza.
Dureza alta não é sinal de capacidade de retencão de fio.
Um bom exemplo disto é o talonite, que tem dureza em torno de 45 RC, mas tem uma resistência maior que o aço. Repito que a dureza deve se adequar ao uso da faca. E cada material usado tem a sua dureza ideal para a confecção da ferramenta, que no nosso caso é uma lâmina.
O próprio aço, devido a sua liga, tem durezas ideais para cada diferente tipo.
Agora voltando ao assunto da mistificação: sempre fui a favor de um público esclarecido e sabedor do que está comprando e colecionando. Criar “histórias” nada mais é que ENGANAR o cliente. Nisto este Forum tem um papel muito importante, que é o de esclarecer e aumentar o conhecimento dos seus membros.

Lepazini
já que é pra sacanear, chamem o Thomas grean morr , sei la se o nome é assim mas o cara é de doer, pior que ele só um bruxo que mora em Floripa e descende de Celtas “hahahhahahaha…
“Tempera laminas em sangue de Carneiro VIRGEM pois este é Mais puro, hehehehhehehehehe….

Cabete
Pena que não temos ( estou falando por mim ! ) vocação para o teatro caso contrário poderíamos montar uma peça onde cada personagem seria uma caricatura de um enrolador conhecido e eles teriam um campeonato em que cada um tentaria enrolar o outro com uma estória bem absurda e escraxada!
Ferrari, eu fui fazer curso de afiação com o Flavio Duprat depois que enfrentei com uma pedra combinada uma faca Zakharov e por dias seguidos tentei afiá-la sem sucesso. Cheguei a tentar afiá-la examinando-a de tempos em tempos em um microscópio.
Minha modéstia e/ou insegurança me levavam a achar que o errado era eu e que estava fazendo algo errado. Foram o Ivan e o Laércio que me deram a luz sobre os fatos.
Depois do curso, quando ví que conhecia cerca de 85 % do que o Flavio mostrou-me fiquei mais seguro. Hoje após afiar uma faca por um tempo já consigo sentir o comportamento do aço. É claro que ainda tenho muito que aprender e muitos dos aços ainda não enfrentei na afiação.
Existem aços que “pegam” um fio sensacional mas não o reteem muito. Existem os que não pegam um fio tão excelente mas o mantem por muito tempo, e existem creio que infinitas variações de graduações de fios e de retenção de fio. E existe algo que não dá para se medir que é o gosto pessoal ! Este nós temos que ter muita sensibilidade para respeitarmos. Por isto acho que não existem verdades absolutas. Da mesma forma que critiquei as facas Zakharov sei que elas tem uma legião de aficcionados que são principalmente pessoas que nunca irão afiar uma faca. Que quando a faca perder o fio irão esquecê-la na gaveta ou procurar seu açougueiro de confiança e pedir-lhe para reafiar a faca. Será que elas são erradas? Acho que elas são simplesmente diferentes de nós. Possuem outras prioridades, outras afinidades e temos que ser muito tolerantes com elas. A todos churrascos que vou levo algumas facas que deixo no carro e só recorro a elas se for solicitado pelo dono da festa. Levo também alguns afiadores portáteis e muitas vezes me divirto afiando as facas destas pessoas que não possuem afinidade para estes assuntos, que o acham técnico ou enfadonho demais.
Existem casos em que é fácil vermos que o cara é um embusteiro mas existem outros que eu classifico mais na questão de serem caras “diferentes”, alguns até acreditam nas besteiras que dizem e não possuem a intenção do logro. Temos que ser muito cautelosos ao analisarmos estas pessoas e procurarmos deixar de lado nossas emoções. É difícil !

Jeff Velasco
Pazini,
Esse de Floripa agora tempera o aço em gordura animal, de boi morto no dia certo, mas isso só porque descobriu que mola de kombi (sem ofensa, me perdoa Ferrari hehehe) é 5160 e isso se tempera em óleo. Lá em Porto Alegre ouvi outra lenda desse cara. Diz que ele tinha lido em algum lugar alguma coisa sobre isso e depois saiu falando que na “antiga tradição moura se temperava facas na barriga dos escravos fortes” ou gordos, não lembro bem. É por aí o nível.

JosuéH.M.Araujo
Algumas lendas acabam em alguns casos se mostrando, grosseiras mentiras, outras acabam se mostrando uma alegoria poetica de um fato Historico, ou de uma tecnica seria de confecção de um artefacto , a muito perdida nas areias do tempo.
Um coisa que é digno de nota é que o Japão não passou por uma idade dastrevas como a europa pos Romana.
Quando se mergulha na metalurgia, ou tecnicas de forjamento e confecção de espadas. Nota se que muito das tecnicas de confecção de espadas das culturas ditas Barbaras palos Romanos. Perdeu-se na chamada “Idade das trevas” o que ficou foram lendas e atualmente achados arqueologicos que os cientistas estão se esforçando para decifrar.
Um exemplo bom de lenda, que depois se mostrou fato Historico é a lenda de Troia, diluvio universal, e a ultima e mais louco é a de Atlan Ica ,uma antiga cidade nos Andes.
Por via das duvidas quando alguem inventar de contar alguma Historia ou estoria.
Vamos todos perguntar, qual a fonte, onde ocarinha leu ou ouviu, tal estoria ou lenda.
No programa sitado pelo Ferrari sobre espadas, um dos narradores sita exatamente isso, que a cultura Celta por não ser uma cultura com escrita, só nos legou os achados arqueologicos. Ja o Japão, nos deichou mais de 4000 anos de cultura e as espadas japonesas vem sendo feitas da mesma forma, com a mesmas caracteristicas pelo menos por igual periodo.
Uma estoria que ouvi é de um certo cuteleiro Argentino, da provincia de Cordoba. Que temperava ou tempera suas laminas espetandoas em um tipo de cacto. Comum na região.
Fonte da lenda: Dr. Ernesto Bravo.(Cliente meu residindo atualmente em Americana)
tem lenda de Gaucho tambem , Mas não vem ao caso.

Lepazini
A dias ouvi uma que é de rachar, o cara me falou que é tradição de familia, em dia que o vento sopra vindo do sul ele não forja porque empena o aço,?????????????
Cheguei a segurar a bolacha que estava comendo , más chegou a escorer uma lagrima de tanta força que fiz pra não rir na cara dele,
Ë mole estes caras acham desculpa pra ficar na folga , e vem falar comar sério ainda.

Ikoma
Pazzini, eu sei que a gente tem que tomar cuidado com o lado “sul” do nosso corpo, más acho que o cara já está exagerando um pouco, já que estamos falando de absurdos, me lembro uma vez que durante um dos nossos knife shows um indivíduo chegou na minha mesa olhou um de meus canivetes em titânio e perguntou se era “titânio de aviação”, eu perguntei então o que ele queria dizer com “titânio de aviação”, dai ele repondeu que meu canivete não poderia ser feito em “titânio de aviação”, pois “titânio de aviação” é impossivel de ser trabalhado, virou as costas e foi embora, diante de tamanha “sabedoria” na hora fiquei até sem resposta, más agora que tenho a oportunidade de comentar a respeito fico pensando, de que serve um material impossivel de ser trabalhado? E como é que um avião é feito, se o tal “titânio de aviação” não pode ser trabalhado como são feitas as peças em titânio do avião? a menos que as peças dos aviões cresçam em árvores, se for esse o caso vou plantar uma arvore de F-22 no meu quintal e ver no que dá.

Lepazini
Sacaneando o Leigo
Puts , essa é de doer:
Aqui em Foz tem uma empresa que faz consertos de maquinas pesadas, nesta empresa tem forjaria,o senhor que forja é um velho por sinal o do “vento sul”, tambem tem o faz tudo que é dos donos da empresa, cara esperto cheio de malandragem, tipo aqueles malandros que fica sacaneando o povo na rua com joguinhos de grana, certo dia ele me contou que iria vir na firma um cara chato que era muito curioso, ele falou para o velho da forjaria que quando este fulano estivesse conversando com o malandro, era para o velho dar 3 marteladas na bigorna, e depois de uns 30 segundos dar mais 2 marteladas, passou um tempo e o enchirido chegou, começaram a conversar e derrepente o martelo bateu, o malandro falou para o encherido, espera um pouco que o forjador esta me chamando,deu duas marteladas num cano de ferro que tinha proximo deles o encherido ficou só olhando , meio ressabiado,o forjador bateu de novo eo malandro deu mais 2 batidas no cano e saiu correndo, chegou pro forjador e segurou um vergalhão que o mesmo estava forjando o forjador deu umas marteladas no vergalhão e depois deu quatro marteladas na bigorna, o malandro sem falar nada deu mais 3 marteladas e saiu andando com o curioso em silencio.
o curioso ficou louco, puts como vc’s se entenden , vc’s conversam ?
o malandro cheio da pose falou: eu eo forjador usamos uma linguagem que é da época dos Vikings , coisa de tradição muito velha que hoje em dia não existe mais, somos uma rara excessão , o curioso indagou: Puts más como vc sabe isto ?
há isto começou assim, quando uma aldeia ou vilarejo era atacado todos eram mortos menos o forjador, pois os agressores faziam o forjador ensinar suas técnicas para eles pois sempre existia formas de se fazer ferramentas diferentes, assim quando aparecia alguem diferente o forjador usava esta linguagem do martelo para perguntar quem era? de onde veio? e assim por diante, isto esta na cultura dos forjadores velhos e persiste até hoje.
O curioso pergunta: más oque vc eo forjador conversaram?
Bem ele deu tres batidas na bigorna, “tom,tom tom” seguinifica “vem ,aqui agora”
Eu respondi: “Tom Tom” “já vou”
demorei um pouco e ele me perguntou “tom tom” “vem logo”
eu respondi”tom,tom” “to indo”
dai eu tive que ir,
você viu que depois de martelar o aço ele me agradeceu: “tom,tom,tom,tom” “O,Bri,Ga,Do” e eu respodi”tom,tom,tom” “De,Na,Da”
A o curioso ficou louco, a não eu tenho que aprender isto, é um sonho , não acredito, vc me ensina , a não eu quero aprender isto, isto é historia , já imaginopu meus filhos vão falar que eu sou culto, enfim encheu o saco do malandro e foi todo dia na oficina implorando para aprender a conversar pela bigorna, os caras cobraram até uma grana para dar aulas de reforço para o mané, que ficou maravilhado por aprender as técnicas.
É mole, tem otario pra tudo neste mundo.

Punhal encantado
hoje apareceu um pai de santo para que eu consertasse uma adaga , que foi feita sob encomenda, “com aço originario da suécia”detalhe, de 1800 , a adaga é bastante simples, retirando o detalhe de um olho encravado na empunhadura, esta obra Prima do mau gosto foi feita e temperada em Sangue de animal Virgem , e é usada para rituais de umbanda, até ai é aceitavel, o problema da istoria é o seguinte:
o elemento que fez a tempera deste aço que julgo ser vc131 não reveniu o material, eo pai de santo ao tentar fazer o sacrificio da galinha , PASMEM conseguiu quebrar a lamina detalhe cortando o pescoço da mesma, ao comprar a daga o pai de santo aprovou a lorota do elemento que falou que é especialista neste tipo de lamina, pois é descendente de mouros, ea tradição esta na familia a mais de 5 gerações, de onde e de quem ele comprou a adaga, basta falar o local: Floripa.
Amigo Jefferson, ensine este cara a revenir as facas pelo amor de Deus.

Ferrari
Caro Leandro,
Este é um grande problema para nós cuteleiros: consertar as facas mal feitas que os outros fazem.

Callega
Eu acredito que um dos melhores caminhos a ser percorrido é o da informacao e troca irrestrita de informacoes, entre cuteleiros custom, entre custom e industria, entre cuteleiros e o povo..
Sei, vao me falar pra TBC, ate ja andei tirando. Porem, nao tenho mercado pra atender.. Ou seja, pra mim isso tudo é uma linda brincadeira e um ggrande desafio, mas quem vive disso é que deve realmente se preocupar.. Quem sabe um dia eu tbem nao viva, mas nao é imediato. Porem algo ja tenho feito, nem que seja torrar os tubos dos cuteleiros que vivem disso…
Como a reportagem da blade fala, a troca irrestrita de informacoes (sem segredinhos, mandingas e outras) é o caminho para o desenvolvimento da cutelaria. pelo menos com os gringos foi assim…
nao posso reclamar, recebi e recebo muita ajuda, irrestrita. Tem gente da terra e de longe tbem, todos me ajudam muito.
porem acho qeu estamos em um ponto de transicao. devemos passar isto ao publico. tem algumas reportagens que se pode ler na literatura nacional. li uma dos Lala E Ikoma na magnum sobre afiacao, adorei, principalmente a parte de explicar pra familia o que fazer com tantos pedacos de corda cortada e finais de semana perdidos na producao dos toquinhos de corda…
Muito ainda tem que ser feito… Nao apenas entre os cuteleiros,mas entre os cuteleiros e o mercado potencial..
Ta, podem me chamar de chato, pelo menos nao rolo…

Ferrari
Caros amigos,
Ontem escutei a do ano: estava eu dando uma damasqueada básica, na oficina de um amigo, que tem vários empregados, sendo que na hora de folga um deles foi ver meu serviço. Quando retirei o billet da forja e coloquei o borax escutei o seguinte:
-Agora eu sei como tempera o aço, é só colocar sal!
Até achei que o mesmo estava de brincadeira, mas quando vi sua expressão, vi que estava falando sério. Daí foi uns 30 min de conversa para explicar a técnica da coisa. Apesar de ser ignorante no assunto, compreendeu e até elogiou o serviço.
Tirei desta situação um ensinamento: é melhor escutar a ignorância do que a palavra de certos “espertos”.

Callega
É justamente isso que eu me refiro Ferrari.. Depois aparece um louco que fala que suas facas cortam até colete de Kevlar e os coitados acreditam… Furar até pode, passando no meio das fibras..
Demonstracoes do tipo raspar a faca em um fio de Al, cortar canos de cobre, etc, até que sao saudaveis e admiram as pessoas, mas sem sacangem..

JosuéH.M.Araujo
Lusitano fazia assim… (Têmpera)
500 gr. —— Resina ordinaria,
250 gr.——- Óleo peixe
125 gr.——- Sebo Refinado.
Derrete-se a resina no óleo de peixe aum fogo brando.
Derrete-se à parte o sebo e mistura se tudo.
Aquecem-se as frrramentas ao rubro escuro ( ????)
e mergulha-se logo a seguir nesta composiçào.
Repete-se a operração 2 ou 3 vezes.
aquece-se ao rubro escuro novamente e mergulha-se em água.
Complicado e mal cheiroso …
Mas está na pagina 248 do livro . Mil e um segredos de oficinas.
Autor Marcel Bordais.
Comprado na seguinte loja.
“A Sertaneja
Bazar – Livraria e Papelaria .
Fundada em 1920.
Cidade – Presidente Prudente.
Provavelmente comprado entre os anos de 1945 1946.
Por Gastão Homem de Mello.

Cuteleiro sempre gostou de facas

Todo cuteleiro sempre gostou de faca, ganhou sua primeira faca aos 5 anos, normalmente do avô e desde então começou uma coleção que depois se tornou em uma paixão que o levou a começar a fazer facas!

Just a little of fun!

Faquinhas_do_Bolo_Pullman

Comments
6 Responses to “Lendas da Cutelaria”
  1. Nalmir Valadares disse:

    Queridos amigos cuteleiros , a informação que tenho , por alguem que me atendeu numa compra é que o aço cirúrgico nada mais é que o aço inox não magnetizado ( isso não só nos instrumentos de corte como também nos recipientes e chapas de bancadas ). Posso também estar equivocado.

    • dzucherato disse:

      Nalmir, aqueles que o imã não pega não tem retenção de corte, portanto não serve para lâminas, só adereços

      • Romero disse:

        Essa é a questão: Aços ditos cirúrgicos tem como principal característica a alta resistência a oxidação, e não o corte, sua principal aplicação é para confecção de instrumentos cirúrgicos de uso permanente(não descartáveis), como pinças, afastadores, etc. Como eles passam por muitos ciclos de lavagem e esterilização, precisam ser muito resistentes a oxidação. Todos falam muito nos bisturis, mas como a lâmina é descartável, pode ser feita, e muitas são, inclusive por aço carbono, o importante é garantir a esterilização no uso, o que pode ser feito por diversas formas.
        O instrumento que deveria despertar curiosidade sobre seu material é a tesoura, é de uso permanente e tem que ter um ótimo e resistente corte. Hoje muitas são feitas de cerâmica, suportam bem altas temperaturas, baixo desgaste, superfície pouco aderente e razoável resistência mecânica. No passado foram empregadas as mais diversas soluções para este problema, o que exigiria que escrevesse um longo tratado, para abordar somente as principais. fica para a próxima.

      • dzucherato disse:

        Obrigado pelas explanações!

  2. Airton disse:

    Senhores, realmente os mouros temperavam suas espadas em escravos, enfiando as lâminas em suas barrigas. Este procedimento era coberto pela “mágica”em que o espírito da vítima ficava preso na lâmina. Na verdade o ferreiro estava fazendo uma têmpera, porém em um meio de resfriamento menos brusco que a água, criando, as vezes, uma espada com qualidades apreciadas de tenacidade e retenção de corte. O meio de resfriamento deve, sempre, ser adequado ao tipo de aço que está sendo temperado, sendo desejável que a dureza atinja o máximo possível para aquela liga. Caso a dureza não atinja o seu máximo, serão criadas microestruturas indesejáveis que fragilizam o aço. A dureza final se faz no revenimento, com a temperatura e o tempo adequados. Alguém acima citou “desagregação molecular”isto não existe. Existem falhas por fluência, que exigem temperaturas e tempos muito elevados.

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