Cutelaria Oriental

Lembrem-se que as opiniões expressas, preços de coisas, idéias, métodos de trabalho, etc podem se alterar conforme a experiência do cuteleiro e o tempo que passou desde a informação.

 

Cutelaria Japonesa

http://www.knifenetwork.com/forum/showthread.php?t=8224&goto=nextnewest

Carbal
É verdade que a curvatura da Katana é conseguida por causa da diferença de dureza entre o aço interno e o aço externo da lâmina e ela enverga em contato com a água fria?

Jeff Velasco
Mais ou menos. Vamos ver se consigo resumir numa explicação bem grosseira.
A curvatura acontece sim em função do contato com a água (que não é fria, isso vai depender do teor de carbono do aço que você está usando). O que acontece é que o refratário aplicado sobre a parte posterior da lâmina faz com que existam veolcidades de resfriamento diferentes (bem como temperaturas diferentes) nas duas partes da lâmina.
Quando você aquece a peça, o grão cresce, e na medida em que a temperatura de têmpera se homogeniza por toda a peça o grão está mais ou menos do mesmo tamanho na peça toda.
Quando a peça é mergulhada na água a parte do fio, muito mais exposta ao choque térmico, vai ter uma diminuição de grão muito maior do que a parte posterior protegida pelo refratário (formação da martensita, me corrijam se errar pois estou sem os livros aqui no momento e não sei se lembro corretamente).
Esta diferença de velocidade de resfriamento faz com que a parte de traz endureça menos e um pouco depois do que a parte do fio. Se o fio já está resfriado e duro, e a parte de traz ainda em resfriamento, vai fazer com que a parte do fio forme um arco, pois já está rígida. Se este processo for acima da toleância do aço, ele vai puxar demais depois de temeperado o fio, e ele pode rachar. Isso é bem normal nos aços de alto teor de carbono como o 1095.
Acho que a minha explicação está meio confusa, mas o pessoal aí vai complementando e corrigindo.

Carbal – Ornamentos
Obrigado Jeff.
Pelo jeito ainda vou perder muitas lâminas antes de conseguir a minha. Pode-se usar o aço 5160 para isso? Qual o procedimento?
Outra dúvida: os ornamentos fuchi, kashira, menuki e tsuba podem ser moldados e fôrmas? Que material é o mais recomendado, tanto para as peças quanto para os moldes? E qual o melhor recipiente para derreter o metal a ser utilizado?

Jeff Velasco
Os ornamentos podem ser feitos forjando ou fundindo. Mas em ambos os casos as técnicas são mais de joalheria do que de cutelaria, especialmente os cinzelamentos dos detalhes. Aconselho que você se preocupe com isso mais tarde ou que gaste um pouco importando as furnituras, pois a qualidade é boa e você terá um parâmetro de comparação caso deseje fazer os seus no futuro.
Já o 5160 é uma incógnita para a cutelaria japonesa. Eu não usaria este aço por uma série de razões. O 5160 não é aço carbono puro. É um aço de alta temperabilidade, manso por assim dizer, desenhado para temperar em óleo a uma baixa velocidade. Isso quer dizer, tempera em vários segundos.
Já os aços carbonos puros (série AUS 10XX) são temperados em altas velocidades e em água. Claro que o choque é MUITO mais severo e as chances da lâmina trincar são muito grandes.
A única razão para se usar aços da série 10XX é que este choque (em conjunto com a ação do refratário) produzem o hamon, ou linha de têmpera.
5160 vai produzir uma linha de têmpera, mas você não terá nenhum controle sobre ela e ela terá um aspecto pouco definido, nebuloso. A melhor opção seria começar os tantos com 1045 (que pelo baixo teor de carbono não costuman trincar). Você pode comprar vergalhões de construção. Como se tratam de barras redondas vão dar muito trabalho pra forjar, mas você vai aprender muito com isso.
O problema do 1045 é que não serve para lâminas longas, pois não fica muito duro. Mas para começar vai ser bom.
Tenha em mente que você vai perder muitas lâminas no começo. Seja por deficiências no tratamento térmico, seja por mal forjamento, seja por trinca na têmpera ou porque você vai ter que destruir muitas peças fazendo testes de qualidade.

Lepazini – Por falar em espadas
Hoje começei a confecção de uma Utchigataná, a principio peguei um tarugo de 1050 de forma redonda e com expessura de 1″forjei no formato mais proximo que consegui, agora estou fazendo a correção da area do fio que pretendo deixar com expessura de 2 mm para dai partir para o processo de tempera , estou trabalhando em cima do meu propio conhecimento pois todos os livros que possuo não adentram em detalhes fundamentais como dados de expessura antes da tempera ou angulo”SÔRI” ideal antes da mesma, nisto estou deichando a mesma com um leve angulo no 2/3 do corpo da mesma indo do Nakagô para o Kissáki , o estilo que pretendo ter após tempera é Toríi Zôri, pois este acho mais interessante, a tempera que pretendo conseguir é em linha ondulada Notarê , esta é segunda espada que estou fazendo, a primeira não ficou muito ao meu gosto pois usei damasco e sofri um pouco para conseguir uma tempera de boa qualidade, tive que remodelar minha forja a carvão, adaptando mais um soprador, desta ves estou seguindo o parametro que o Ottaiano relata, apesar de estudar o livro dele “Que é bastante resumido” estou tentando adaptar aos meus conhecimentos oque poderei conseguir como resultado, sei tambem que este material sera mais facil de trabalhar que o anterior que tentei , más agradeceria se os colegas pudessem me auxiliar com dados mais precisos, principalmente na questão de escolha de nakagô ideal, e tambem alguma sugestão que possa me resultar em um conjunto mais comum e que siga o estilo tradicional.Grato a todos.

Rodrigo Sfreddo
Amigo Pazini,se eu puder te ajudar em alguma coisa é só falar.Tenho feito muitas experiências nesta área(em conjunto com o Velasco), tenho um relativo conhecimento e alguns livros muito bons. Posso te dar algumas informações sobre estilos de lâminas,geometria,têmpera,argila refratária,etc… Qualquer coisa “prende o grito”. Um abraço.

Lepazini
Amigo Rodrigo:
Sempre é vc, agradeço novamente a vc pela boa vontade em me auxiliar neste demorado trabalho que comecei, como falei não possuo o conhecimento necessario para confeccionar a minha Utchigataná assim todos os dados possiveis serão de uma valia imprescendivel, como mensionei o primeiro passo já foi dado , o processo inicial do forjamento já foi concretizado, para correção e alinhamento utilizei como de costume a técnica do martelo de madeira e bigorna molhada, a partir de agora não quero utilizar minhas técnicas más sim seguir a tradicional, já montei um tambor para ser feita a armazenagem de agua para a tempera, tambem não pretendo usar o cimento refratario, se possivel poderiamos começar por esta etapa:
Gostaria de saber como Buscar uma composição mais proxima da original ou que me proporcione a mesma qualidade ?é claro que com produtos nacionais.

Jeff Velasco
Pazini, Você recebeu meu e-mail?
Você tem como mandar algumas fotos da peça que você forjou? Isso me ajudaria a definir alguns detalhes estéticos do acabamento do nakago, entre outras coisas.
Mas antes de você temperar forje outra lâmina (pode ser um forjamento mais simples) e tempere ela reta com o barro para você ter uma idéia da curvatura que o aço vai desenvolver naturalmente. Muma experiência que o Sfreddo fez, um tanto de 52100 curvou bastante mesmo. Se fosse uma peça do tamanho de um katana, boa parte da curvatura deveria ser retirada e se não fosse possível e peça seria descartada.
O refratário que usamos não tem nada a ver com o original (pelo menos não parece com o que vemos nas fotos) mas funciona bem. O Rodrigo tem a receita escrita.. o sal vai a gosto

Lepazini
Caro amigo:
Fiz este teste justamente para averiguar isto, deixei uma lamina com 2mm de expessura na area do fio, mas ainda não temperei pois quero usar a receita a la Sfreedo, assim terei exatamente a mesma noção de tamanho x curvatura , estou quase louco para arranjar alguem com uma maquina que preste esta dificil , acho que vou comprar no proximo mes uma digital no Paraguay, “HORIGINAL” made Assuncion , brincadeira, terei que me obrigar a comprar uma , pois esta dificil de ficar falando e não ter a prova do crime.
Entrarei em contato com o Rodrigo para pegar detalhes,da formula secreta.

Rodrigo Sfreddo
Amigo Pazini,aquí vai a fórmula”secreta” . Eu não costumo medir a porcentágem de cada ingrediente,mas é mais ou menos isso: Três copos de argamassa refratária em pó(procure em firmas de refratários),um copo de pó de carvão(se você quiser eu lhe envio um pouco,pois tive que comprar um saco de 30 Kg),uma colher de sopa de bicarbonato de sódio,e água “argilosa”. Para fazer a água argilosa,pegue um pedaço de argila do tamanho do seu dedão e dissolva em um copo d’água. Misture os ingredientes e vá adicionando a água argilosa até dar o ponto. Se preciso,faça mais água. O ponto é o de purê de batata. Antes de aplicar,enrole um arame em volta da lâmina com um espaço de 3/4 a 1 pol. entre as voltas. Comece pelo nakago, vá até a ponta e volte,fazendo “X”. É importante enrolar todo o nakago,pois ele também vai ficar recoberto pela argila. Aplique a argila com uma espátula,numa espessura de 1 a 2 mm(a espessura varia de acordo com o aço usado e o efeito desejado). Quando começar a secar,a argila vai rachar(devido à redução de volume pela perda da água),mas é só molhar o dedo esfregar por cima que elas fecham. Quando estiver completamente sêca,a argila vai ficar esbranquisada(por causa do bicarbonato),aí vem a parte do fogo;mas isso é para outro dia… Grande abraço.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: